Lágrimas das deusas

29/05/2007 14:42




Visões de Perséfone

Estaciona a asa e deita no túmulo sob nuvens brancas a contemplar o céu azul de dentro. Ao seu redor dois anjos sonâmbulos montam guarda. Morreu para o instante próximo. Morreu de música. Sementes pingam das suas mãos. Brotam flores roxas no chão. Seus passos ainda marcam a terra escura. Seu vestido longo e negro abriga ervas daninhas.

Oh, Narciso, aspire minha alma,
Neste vão do amor no baixo ventre...
Cupido neurótico atingiu-me os olhos
Nessa loucura comedida
Minha volta, minha ida...

Cabelos intensamente vermelhos onde tudo é cinza, é preto, é frio. Brilho estranho nos olhos. Sorriso pálido escavado, encontrado e arrancado de dentro do seu espelho. Presença que basta no espaço inóspito. Inteiramente fragmentos de anjos, sonhos, lágrimas, branco, preto e amor. Os pés descalços vomitam vulcões em erupções no peso do corpo que caminha pelo ar. Quisera só voar, mas agora vai descer ao Hades pela porta ao avesso do seu túmulo. É o inverno que chega.

enviada por Perséfone






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