11/08/2006 12:21
Uma explosão de gritos repentinos pela casa. Seres fora da razão não queriam ouvir, só queriam falar, ou melhor, gritar. Agredir era a necessidade geral. Palavras ditas de qualquer jeito, significando estados baixos das almas. Todo mundo estava errado. Todo mundo estava certo. Cada um com os seus motivos, extravasando dores inconscientes, medos, críticas, desabafos. Todos perto. Todos longe. Na loucura das palavras soltas gangorrando na atmosfera pesada, ecos entravam esporadicamente naqueles corações, até que a energia maior venceu todas as outras e tomou conta da situação. O amor estava em todos. Amor de uns para os outros. E o silêncio se fez. Porque o amor fala, principalmente, através dele. E na ausência dos gritos puderam se ouvir e se compreender. Os corações estavam calmos e próximos agora. E a atmosfera ficou feito o céu azul de agosto. Puderam sentir e entender que nada mais importava, a não ser o fato de se amarem verdadeiramente. Ninguém teve medo de ceder. Era a vontade legítima de todos: estar em harmonia; verem-se por dentro; comunicaram-se apenas com os olhos e com o coração no silêncio significativo que só os que se amam desfrutam. Fizeram as pazes sem pedir. Perdoaram-se no mesmo instante em que se olharam e sentiram que eram um só coração e que nele só habitava o amor.
enviada por Perséfone
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