02/05/2006 16:14
Dois túneis no tempo. Do tempo. O olhar. Um singelo par de olhos. Bebia tudo no ar. Absorvia todo o nitrogênio ao redor. Mundo, pequeno mundo. Pensava. E apareciam raios em suas íris. Por trás dos óculos dois vácuos. Dois buracos negros. Portais de Universos eqüidistantes. Sua cabeça-liqüidificador subdividia tudo. Informações. Desinformações. Equívocos. Paradoxos. Rimas. Contradições. Constatações. Ultrapassava. Função-olhar servia pra nada. E pintava um quadro surreal com os cílios. Solvente: lágrimas. Vindas de dentro. Do avesso. De fora. Borrões. É o que é agora. Uma vida sem sentido. Lentes embaçadas. Mistura de tudo: cores. Feito branco no preto. Tudo virando nada. Teias de aranha no aro esquerdo. Cansou de ver. Quer saber. Mas vai dormir. Fecha os olhos. É sugada pelo próprio olhar-vácuo. Dentro de si. Um vazio assustador. Chora de dor. De medo. Quer voltar. Na superfície sabe lidar consigo mesma. talvez não. Mas agora não importa. Quer voltar. Só quer voltar. Único caminho conhecido. Medo do escuro. Do vazio. Pés inseguros. Tateam tontos. Falta chão. Vai cair.
Luz entra por frestas. Sol. Tudo equilibrado em seu sistema. Sabe que vai morrer daqui a cinco bilhões de anos. Sabe que vai durar pra sempre. Transformação de forma. Energia alguma se perde. Mãos com mãos. Apoio vindo de dentro. Força. Não sabia que tinha tanta. Tudo gira. Circula. O efêmero tem gosto. Sabia. Não sentia. Não precisa mais voltar. Nem ficar. Encontrou-se. Espelho de si. Sorri. E levanta. Só o tempo.
enviada por Perséfone
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