Lágrimas das deusas

28/04/2006 10:18
Um caminho de flores pela manhã me levando até o meu amor... cantarolava músicas nossas, lembrava de frases significativas e sorria... boba, boba, boba, a mais boba apaixonada transeunte sob ipês.
Uma tela liga ao mundo, traz o mundo dela pra perto... possibilidades de ver, falar, sorrir, sentir... sua caligrafia digital, caracteres brotando das pontas dos dedos dela... seria tão impessoal e frio se não fosse ela do outro lado... mas já posso sentir seu calor antes mesmo de sentar em frente à poderosa máquina que me põe junto dela.
Chego feliz e fixo meus olhos na tela. Comandos abrem janelas, janelas, janelas... eu quero a janela dela. Ah, aqui está. Mas, meu Deus, cadê ela? Janela fechada num mundo tão repleto de janelas abertas... Cadê? Cadê? Cadê ela? Por que não está aqui me esperando? E vou esperar, esperar, esperar... jogar pedrinhas, chamar, sonhar... não consigo parar de sonhar... estou agora acordada a sonhar. Sonho com o sorriso dela construído pra mim, sonho com o som da sua voz no meu ouvido, sonho com o toque de sua língua no meu umbigo, sonho com uma cama de jasmins e ela no meio e eu no meio dela e o desejo infinito no meio de nós. Ah, eu sonho, como sonho!
Ausência-presença... vazio repleto dela... tudo aqui é ela, me leva pra ela, tem o cheiro dela, na tela o rosto dela que não vem... e eu chamo, chamo, chamo: Vem, meu amor! Vem, meu amor! Vem, meu amor! Um mantra. Concentro e repito mentalmente. Energia. Olho a janela fechada com olhos de Ali Babá. “Abre-te, Sésamo!” Profiro uma frase mágica pra traze-la até mim... a mais mágica de todas... Eu te amo!
E continuo a esperar cantando “A montanha e a chuva”:

Eu queria tanto lhe dizer
Da minha solidão, da minha solidez
Do tempo que esperei por minha vez,
Da nuvem que passou e não choveu...

Minhas mãos estão no ar
Como aeroporto pra você aterrizar
Também sou porto, se quiseres ancorar...
Sou ar, sou terra e sou mar...

Eu tenho a mão e você tem a luva,
Eu sou a montanhe e você é a chuva
Que escorre e some no final da curva
E beija o rio, pra abraçar o mar

É por isso que a montanhe tem ciúmes
Quando o vento leva a chuva pra dançar
Muitas vezes tudo acaba em tempestade
Raios gritam sobre a tarde,
Tardes dormem ao luar,
Anoitece a minha espera,
Amanheço a te esperar...

enviada por Perséfone






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