31/01/2006 15:27
Como são lindas e intensas as tempestades de verão! Eu, ainda que me mantendo a seco no invólucro do carro, posso sentir cada gota da chuva que cai. Lavo a alma por fora e por dentro, sentindo as vibrações da água vertical e do som no último volume tocando Pink Floyd. Como viajo nas batidas de Wearing the inside out e Lost for words. Sinto-me esticar todo o corpo, enquanto fecho os olhos e me entrego ao fora de mim. Forças puxam-me pelas extremidades, pés, mãos, cabeça. Sinto-me fragmentando em sonhos, pedaços de poesia e música.
Lembro a conversa com ela. A sensação de saber que as coisas caminham com seus próprios pés. Seguem o seu destino alheias a minha vontade. Eu sabendo, não sabendo, não importa nada, a não ser pra mim, que trato de contemplar e aceitar a vida da forma como se apresenta. Ela ria sem graça, sabia que eu observava cada detalhe, cada pequeno gesto seu. Sabia que aquele momento era crucial pra determinar o caminho a seguir, o que esperar dela e de mim. Não a via como um pedaço de carne a ser devorado, não a via como mais uma para pegar. Eu sinto respeito por ela, sentimentos verdadeiros. Disse isso a ela, mas não consegui avaliar o impacto causado. Terminamos a conversa e eu sabia que algo novo brotara dela em nós. Da minha parte a certeza da incerteza. Nada esperar, nada planejar, nem sequer sonhar. As palavras têm mesmo o poder de construir ou destruir os sonhos de alguém. Mas elas sempre deixam rastro caso se deseje voltar atrás, recomeçar. Podem reescrever o discurso e resignificar as atitudes. Enquanto isso a melhor coisa a fazer é misturar as tempestades internas e externas, reclinar o banco, fechar os olhos e deixar-me arrebentar pela poderosa vibração da música.
enviada por Perséfone
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|