Lágrimas das deusas

11/01/2005 14:45
Será que em algum lugar existe médico para a alma? E se eu o encontrar, certamente ele me perguntará onde dói; nesse momento ficarei atônita, pois a dor é por toda parte. O coitadinho assustado fugirá de mim. No máximo receitará um remédio de efeito ilusório.
O mundo interno é desconhecido totalmente. Cá, com meus botões,acho que aí está a cura. Mas é tão inascessível... Por onde eu começaria? Não tenho a mínima idéia. Enquanto isso vou me esvaindo, me consumindo inteira e em partes auxiliada por essa dor terrível, que nem mesmo uma dose cavalar de morfina aliviará.
Olho a paisagem. O céu azul em contraste com o verde das montanhas renascido com a primavera consegue parar o meu olhar. Minha alma inquieta fica quieta diante do belo. É como se reverenciasse a si mesma com toda sua complexa simplicidade. Tento entrar em harmonia com esse mundo, ainda que ache que quase nada aqui faz sentido.
Me pareço muito com o vento. Vou por toda parte: Atravesso desertos e mares; balanço as folhas das árvores e beijo as flores; Corto montanhas e cidades; até finalmente acariciar os rostos das pessoas e em seguida subir para bem alto, ir para o mais longe que puder, sem saber ao certo o rumo que devo tomar. sei que às vezes me comporto feito brisa e em outras, pura tempestade.Mas vento é só vento e não tem que explicar seus porquês.

enviada por Perséfone






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